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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Ministério da Cultura terá R$ 129,5 milhões para museus em 2012

ara o ano que vem, Instituto Brasileiro de Museus (Ibram) lançará novas edições dos programas de fomento e de qualificação em museologia
 Em 2012, o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), autarquia federal ligada ao Ministério da Cultura responsável pela Política Nacional de Museus e pela melhoria dos serviços do setor, terá um orçamento de R$ 129,5 milhões. Se houver a aprovação de algumas emendas parlamentares, o valor sobe em 42%.
O orçamento do Ibram será investido em diversas ações visando o fomento à área. Estão previstas uma nova edição do Programa de Fomento Ibram, além da continuidade do Programa de Qualificação em Museologia e a ampliação, em pelo menos 20%, do número de exposições nos 30 museus integrantes da estrutura do Ibram.
O Instituto pretende, ainda, aprovar o Projeto do Legado Cultural para o Setor Museal, que prevê a destinação de R$ 200 milhões por ano, até 2014, para a modernização, qualificação e garantia de atratividade dos museus brasileiros para os megaeventos esportivos que serão realizados no Brasil.
Entre as atividades previstas para 2012 estão a realização do Fórum Nacional de Museus (de 16 a 20 de julho), da X Semana Nacional de Museus (de 14 a 20 de maio) e da 6ª Primavera dos Museus (em setembro).
O Brasil também sediará uma reunião com especialistas em patrimônio museológico e coleções para discutir um marco regulatório internacional para o setor, sob a coordenação do Ibram, conforme proposta aprovada pela Unesco. Além disso, terão início as reuniões do projeto Conexões Ibram, que objetiva a disseminação e o desenvolvimento de temas estruturantes para a área museal em estados e municípios.
Balanço

Em 2011, o Ibram promoveu diversas ações de divulgação, fomento e incentivo à universalização do acesso à memória do Brasil. O Programa de Fomento aos Museus Ibram 2011 lançou 10 editais, sendo seis inéditos, destinando R$ 16 milhões em prêmios e projetos relacionados a museus. Além do fomento à implantação e modernização de museus e a projetos educacionais e de memória social, houve incentivo a artistas contemporâneos e premiações para roteiristas, jornalistas e carnavalescos que divulgassem a temática museal em diversas mídias. No total serão mais de 200 iniciativas contempladas.
A inauguração do Centro Nacional de Estudos e Documentação da Museologia (Cenedom) e o lançamento das publicações Museus em Números e Guia dos Museus Brasileiros demonstram a preocupação do Instituto em fazer um diagnóstico do setor para balizar a formulação e a avaliação de políticas públicas e pesquisas sobre os museus brasileiros.
O Guia dos Museus Brasileiros traz dados como ano de criação, endereço, horário de funcionamento, tipologia de acervo, entre outras informações de mais de 3 mil museus mapeados pelo Ibram. Já nos dois volumes da publicação Museus em Números é feito um panorama estatístico nacional e internacional do setor de museus com textos analíticos e dados sobre as instituições cadastradas pelo Ibram.
Além de realizar mais de 70 exposições temporárias e itinerantes nos 30 museus federais que fazem parte de sua estrutura, o Ibram estimulou a circulação e o intercâmbio de acervos e coleções inclusive internacionalmente. Quase 200 obras foram enviadas ao Festival Europalia, na Bélgica e países vizinhos, que teve o Brasil como tema deste ano. Além disso, o Ibram também colaborou acompanhando a fase de pré-produção e produção do evento.
Outro destaque do ano foi a ampliação do projeto de museologia social, com o aumento do número de oficinas de qualificação e a realização de exposições marcando o lançamento de diversos Pontos de Memória. Na sede do Instituto e também nos museus que integram sua estrutura foram realizados seminários, mesas redondas e palestras. Merece menção também a reabertura da Galeria de Arte Brasileira do Século XIX, no Museu Nacional de Belas Artes e do Palácio Rio Negro, que estavam fechados para reformas.

Contatos para a imprensa:
Assessoria de Comunicação – ascom@museus.gov.br
Soraia Costa – soraia.costa@museus.gov.br – (61) 2024-4035/ (61) 9619-5445

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

O Louvre abre nova iluminação, mais eficientes e ecológicas

O Museu do Louvre, em Paris lançou terça-feira 6 de dezembro a primeira fase de sua nova iluminação externa que afeta a Pirâmide, o pyramidion Hall e Colbert, foram substituídas as lâmpadas de xenon para pontos de iluminação LED, com uma economia de energia anual de 73%. A mudança foi responsável pela Toshiba multinacionais, entre outras coisas, é a maior fabricante de LED (diodo emissor de luz) do Japão, e tem promovido essa mudança como uma carta de apresentação na Europa.


 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Resposta a reitoria e a sociedade

MOVIMENTO ESTUDANTIL DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RECÔNCAVO DA BAHIA

Nota pública do coletivo de paralisação
 #PARALISARPARAMOBILIZAR

            Diante das decisões divulgadas pelo reitor da UFRB no dia 26 de Setembro de 2011, deliberamos e entendemos que devemos uma explicação a sociedade e não somente a universidade.
 
            O primeiro ponto refere-se à formação da mesa de negociação e da câmera Inter setorial. Nesta nota publica, a reitoria avalia que somente estas ações seriam necessárias para a plena comunicação. Esquece-se esta que, a multicampia, um sistema herdado da ditadura militar, onde os campi foram descentralizados serviam apenas para desarticular ideias importantes. Além disso, esta mesma reitoria esqueceu também que os estudante da UFRB ainda estão se organizando. No entanto, para alçar uma discussão foi preciso que embasássemo-nos com documentação necessária para apurar as irregularidades dos campi de Cruz das Almas, Cachoeira, Santo Antônio de Jesus e Amargosa. Ainda neste ponto a reitoria nos acusa de causar “prejuízos” administrativos, financeiros, sociais e acadêmicos. Contudo, avaliamos que o prejuízo maior quem sofre é a sociedade que deposita regularmente pagamentos via impostos e não sabe no que este dinheiro é aplicado. Prejuízo será formar profissionais sem qualificação colocando em risco essa mesma sociedade que não terá o retorno desejado.
 
            A segunda questão colocada pelo reitor sobre a “ideia fixa” de falarmos somente da PROPAAE, não é descabida. Mesmo sendo pouco mais de 10% da população estudantil da UFRB a usufruir dos benefícios, entendemos a importância e a necessidade dessas politicas afirmativas e o quanto elas precisam ser ampliadas, visto que 70% dos estudantes da UFRB são originários das classes C, D e E, e aproximadamente 80% do corpo estudantil se declara afrodescendente. O que nos espanta é a reitoria utilizar a PROPAAE como manobra de retaliação para com este movimento. O Coletivo insiste em reafirmar que as dependências administrativas necessárias para efetivar os benefícios devem e podem executar suas atividades.
 
            A terceira questão referente às agressões verbais ocorreu de ambos os lados. Se houve por parte deste movimento atitudes intempestivas pedimos publicamente desculpas. O nosso intuito era nos fazer ouvir diante da impossibilidade de permanecermos no mesmo local para discutir as melhorias que servirão tanto aos professores, servidores quanto aos estudantes. Discordamos ainda da informação que não existe uma representação única por parte do movimento. Temos vinte pessoas (efetivos e suplentes) que estão responsáveis para comparecer a mesa de negociação, sendo que presencialmente apenas dez participam dessas reuniões por vez. Lembramos ainda que o reitor deveria implantar o sistema de negociação proposto em 2008 quando as mesas eram abertas e democráticas congregando todos os estudantes.
 
            O quarto ponto se refere à palavra “greve”, não estamos fazendo greve e sim paralisação. Não somos remunerados para fazer este movimento que é apartidário, independente e democrático. 
 
            O ultimo ponto trata da dissolução da mesa de negociação por parte do reitor. Nós do Coletivo de Paralisação reiteramos a importância e a necessidade de retomarmos as negociações a fim de estabelecer um diálogo e encontrar soluções acerca dos impasses.
 
            Informamos ainda à sociedade que a ocupação da UFRB pelos estudantes está fundamentada em documentos da Controladoria Geral da União (CGU) que revelam irregularidades nas obras licitadas até o ano de 2009. Segundo a CGU, os resultados dos trabalhos que constam no relatório nº 245382, foi verificado que não há conformidade entre a documentação apresentada pela UFRB com as exigências do Tribunal de Contas da União (TCU). Foram destinados, através do Programa, "Brasil Universitário", que diz respeito a 87,4% (valor de R $83.945.054,00) dos recursos geridos pela Universidade no exercício de 2009 (total de R$ 96.088.427,00)”. A falta de desempenho da UFRB foi justificada varias vezes por “dificuldades técnicas e gerenciais e da carência de recursos humanos especializados”. Observamos que somente no campus de Amargosa, cujo terreno foi drenado para receber as instalações da UFRB, foram gastos cerca de 9 milhões de reais. Contudo, as instalações/estruturas não correspondem às verbas aplicadas, como exemplo o curso de Educação Física que não possui um complexo poliesportivo que é de suma importância para formação profissional. Já no campus de Cruz das Almas mesmo tendo disponível R$ 1.356.385,52 o complexo de laboratórios de Engenharia Florestal sequer tiveram as obras licitadas. Ainda no mesmo campus, uma verba destinada no valor de R$ 3.839.034,88 para construção do hospital de Medicina Veterinária não foi utilizada no seu total, pagando apenas á empresa o valor de R$ 259.796,97
 
            Ressaltamos ainda que os 96 milhões poderiam ter sidos administrados em reformas de prédios já existentes, aquisições de equipamentos, mobílias e outros gastos para a implementação dos campi. Isso sem citar os indícios de superfaturamento nas obras dos 7 laboratórios do campus de Cruz das Almas notificados pela CGU referentes ao relatório de 2010, entregue em março de 2011.  O que nos faz perceber que a falta de laboratórios, salas de aulas equipadas, acervos bibliográficos e outros itens para a formação plena deixaram de ser adquiridos por falta de uma boa administração. Neste momento, estamos nos mobilizando para que os estudantes da UFRB possam efetivamente contribuir para o desenvolvimento do Brasil. 
 
             Queremos profissionais plenos para a sociedade brasileira, não apenas meros reprodutores de ideias abstratas. Continuaremos a divulgar o que está ocorrendo na UFRB para que a sociedade brasileira tenha pleno conhecimento dos investimentos federais. Todos nós pagamos impostos que se revertem em verbas para fazer o Brasil. Os investimentos na UFRB não são diferentes. Queremos uma UFRB decente.


27 de setembro de 2011

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte

Foto: Luís Antonio
A festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte, que ocorre desde 1820, época do Brasil Império, e estende-se no tempo até os dias atuais, permanece com muita tradição e fé, na cidade de Cachoeira, localizada no Recôncavo Baiano, a 116 quilômetros de Salvador.

O evento acontece durante cinco dias, de 13 a 17 de agosto, e começa com a procissão das irmãs pelas ruas do município histórico, em sinal de luto pela morte de Nossa Senhora.

A Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte é composta por uma confraria de 23 mulheres cujos requisitos são descender de escravos africanos e possuir mais de 50 anos de idade. Todas elas são unidas pela devoção a Nossa Senhora. De acordo com historiadores locais, a confraria surgiu quando um grupo de mulheres, ex-escravas, reuniu-se para conseguir a alforria de outros escravos da cidade de Cachoeira, a primeira reunião de fundação da irmandade se deu no terreiro de Candomblé da nação Jeje-Mahi Zoogbodo Malê Bogum Seja Hundê, mais conhecido como Roça do Ventura.

A festa da Irmandade tem fortes traços sincréticos e recebe influências da religião católica e do candomblé, muito forte na região do Recôncavo Baiano. Durante as festividades são realizadas missas na Capela de Nossa Senhora D’Ajuda e oferecidos carurus e cozidos, típicos pratos da cultura afro-brasileira.

Confira a programação:
 
13/08 - Ritual do traslado do esquife de Nossa Senhora, às 18 horas, com saída do anexo da Capela DAjuda, que pertence à Boa Morte, com destino à capela da Irmandade, na Rua 13 de Maio, onde haverá celebração religiosa em memória das irmãs falecidas.

14/08 - A procissão do enterro de Nossa Senhora sai às 19 horas da igreja da Irmandade e percorre as principais ruas do centro histórico de Cachoeira, seguida de filarmônicas que tocam marchas fúnebres.

15/08 - O cortejo sai da igreja da Irmandade, após a missa marcada às 8 horas. Integrantes da irmandade vestem beca, usam joias e deixam à mostra as contas de seus orixás, além de deixar exposta a face vermelha do xale. A Irmandade oferece ao público presente um farto banquete com feijoada, assados e saladas.

16/08 - A Irmandade oferece à população o tradicional escaldado, com diversos tipos de carnes, verduras, legumes e pirão. O samba de roda também se apresenta e todos que quiserem podem sambar. A partir das 18 horas.

17/08 - Nesse dia, também a partir das 18h, a festa continua com o samba de roda de Nossa Senhora e distribuição de caruru e mungunzá.






sexta-feira, 29 de julho de 2011

Sítio histórico de Cachoeira é agredido


Dando continuidade às variadas agressões ao patrimônio histórico e cultural de Cachoeira, município tombado por decreto federal desde 1971 como patrimônio histórico, artístico-cultural e natural brasileiro, mais uma obra realizada pela prefeitura municipal violenta o sítio arqueológico de São Francisco do Paraguaçu, subdistrito de Santiago do Iguape, na antiga zona dos canaviais cachoeiranos. Dessa vez a PMC está construindo um coreto, ou um palanque, qualquer coisa, enfim, que por falta de uma denominação coerente ou uma finalidade definitiva, o equipamento está sendo batizado pela comunidade de elefante branco.
Para levar a efeito o intento nefasto a PMC derrubou duas árvores centenárias que ornamentava a praça principal da vila. Além disso, o equipamento desfigura o conjunto original de casas e oculta a visão que se tem do edifício do antigo convento de Santo Antonio, construído pela Ordem Franciscana em meados do século XVII. Entretanto, a PMC desconhece que a vila de São Francisco é área de proteção rigorosa como sítio arqueológico e histórico, como ocorre com a sede do município, principalmente a área urbana da antiga vila.
Não faz muito tempo o IPHAN desautorizou a construção de um imóvel de dois pavimentos na imediação do convento de São Francisco. No caso da obra desfiguradora ora realizada pela PMC, o IPHAN não foi informado, o que significa dizer que não há laudo histórico nem arqueológico. Enfim, a obra é ilegal e representa mais uma entre tantas outras obras realizadas pela PMC em que a lei de proteção e conservação do patrimônio histórico-cultural e artístico brasileiro é acintosamente desrespeitado pelo excelentíssimo senhor prefeito municipal.

O prefeito se acha acima da lei

Obras irregulares são recorrentes em Cachoeira e o prefeito diz destemidamente que ele não tem medo de processos jurídicos, que vai fazer e acontecer, queira ou não queira os “cupins” IPHAN e IPAC. Entenda-se a sua vaidade está acima de tudo. As arbitrariedades administrativas cometidas são apoiadas por um poder legislativo omisso e covarde. Tendo todos os vereadores comendo em sua mão, comem igualmente migalhas jogadas ao chão por ele os meios de comunicação da região e a população despolitizada e controlada à base de festas, drogas e cervejas. Ninguem tem coragem de dizer nada; nenhuma voz se levanta. Aí nenhum IPHAN e nenhum IPAC tem força política para dar testa ao todo poderoso corró da cidade.
Ante essa situação, o perna-de-pau centroavante da seleção de coroas cachoeiranos joga solto, sem marcação, fazendo gols de impedimento a torto e a direito. Resultado: não existe uma obra sequer que não tenha uma irregularidade, um dinheirinho a mais. Que comprove o relatório da auditoria roleta-russa da CGU.
O local do crime


Baseado no cronista cachoeirano Pedro Celestino da Silva e numa bibliografia específica e oriunda de pesquisadores religiosos da Ordem de São Francisco, a presença franciscana e a instalação do Convento de Santo Antonio do Paraguaçu em Cachoeira se deu em decorrência da conversão religiosa, já na maturidade, de Pedro Garcia de Araujo, proprietário das antigas terras de São Francisco, que se tornou irmão leigo da Ordem.  Jaboatão diz que
No Capítulo, que fez o primeyro custodio independente, Fr. João Bautista em vinte e quatro de fevereyro de 1646, foi determinado a acceitação de fundar Convento no lugar do Paraguassú, como pedem os moradores da freguesia, (diz hum assento da Meza deste Capitulo, e se escolherão dos dous Sítios, que offerece o P. Pedro Garcia, qual seja o mais conveniente).
Já Pedro Celestino da Silva, baseado em Jaboatão, diz ele que
Doou o padre Pedro Garcia, por escriptura publica, dois sítios que possuía na margem oriental do rio Paraguassú, um onde se acha levantado esse convento, e outro mais abaixo, na passagem denominada Pontal.
Jaboatão e outros autores que estudaram a ordem franciscana e o convento Santo Antonio em São Francisco do Paraguaçu não apresentam dados precisos sobre as terras doadas por Pedro Garcia para os franciscanos. Em face disto, não se sabe sua extensão original e limites precisos. Sabe-se concreto que os franciscanos não eram empreendedores, como eram os beneditinos e jesuítas, que possuíam grandes engenhos e grandes plantéis de escravos. Assim, conclui-se que propriedade doada por Pedro Garcia aos franciscanos limitava-se unicamente àquela que constituía o convento, inclusive o quintal, que corresponde a área da atual vila.
Jaboatão diz que
Quando alli fomos Noviço pellos annos de 1717 naõ havia no lugar mais que dous ou três cazebres de Pescadores, e o Hospital, de que logo diremos; hoje haverá huã dúzia de cazas de alguns pobres [pescadores}, que vivem á sombra do Convento.
Esses “pobres pescadores” referidos por Jaboatão eram, certamente, mamelucos (mestiços de índios e brancos) descendentes de antigos habitantes do local. Jaboatão identificou poucos moradores naquela localidade devido, principalmente, à configuração do lugar, em detrimento, por exemplo, da vizinha povoação de Santiago, localizado numa parte onde se descortinava o vale  do Iguape. Diz Jaboatão (p.540):
Não tem vista alguã para a parte de terra, por ser toda dezerta, e montanhoza; a melhor que tem he [é] a do Rio. Não se descobre do Convento Povoação, ou edifício algum mais que da outra banda da barra da [vila da] Cachoeyra em distancia de mais de legoa.
Em decorrência da instabilidade pela qual vivia o convento de Santo Antonio ao longo de sua existência, determinado momento enfraqueceu suas atividades religiosas e de assistência. Em finais do século XVIII até meados do século XIX, com a crescente decadência do sistema plantocrático açucareiro no Iguape, que sustentava e garantia o funcionamento do convento, suas instalações físicas começaram a sofrer gradativo processo de deterioração. Sabe-se que na década de 1850 não mais havia frades brasileiros ou portugueses no Convento, e sim cerca de cinqüenta franciscanos de origem alemã, que permaneceram pouco tempo no local.
Na década de 1910 o Convento de São Antônio do Paraguassú estava abandonado e em ruína. Diante da iminência de desabamento de todo o conjunto arquitetônico, o convento e os terrenos adjacentes foram doados à arquidiocese baiana. Como medida preventiva para evitar o desabamento da igreja, foi acordada em reunião a demolição do convento e a venda dos terrenos e alfaias para que, com o dinheiro auferido, se promovesse a reforma da igreja. Para tal, em 19 de janeiro de 1915 foi nomeada uma comissão que seria responsável pela execução do projeto.
Peças em mármore, metais e madeiras que compunham o acervo móvel (mobiliário, objetos de arte, por exemplo) e imóvel (pias, lavabos, escadaria, etc) do convento foram vendidas e/ou doadas. Na década de 1930, São Francisco do Paraguaçu atraiu imigrantes provenientes de áreas sertanejas flagelados pela seca que grassou naquela década na Bahia. Aqueles que se fixaram definitivamente em São Francisco arrendaram pedaços de terras para cultivo temporário de gêneros de subsistência ou se empregaram como extrativistas meeiros. Parte da população atual da vila de São Francisco é oriunda desses imigrantes sertanejos.
Além de sítio histórico construído pelos irmãos franciscano do convento de Santo Antonio, local onde estudou um dos mais renomados cronistas setecentistas brasileiro, o frei Antonio de Santa Rita Jaboatão, a vila de São Francisco era originalmente uma aldeia indígena. Valiosíssimas obras de arte sacras pertencentes ao convento enriquecem museus brasileiros; no interior da igreja de Santo Antonio jazem os restos mortais de Sebastião da Rocha Pitta, o pai da história brasileira. Pesquisadores da Universidade de Évora, Portugal, estudaram a Nora, o sistema medieval de abastecimento de água através de aqueduto que se encontra preservado no citado convento. Contudo, o prefeito de Cachoeira, que desconhece a importância do patrimônio histórico e cultural do município que administra, arrogantemente destrói tudo; constrói um trombolho ao lado de um edifício religioso construído no início da colonização brasileira. É demais!
 

sábado, 16 de julho de 2011

XXXV ENCONTRO NACIONAL DE CASAS DE ESTUDANTES - ENCE

Ocorrerá entre os dias 07 e 13 de Agosto de 2011, no Campus da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, o XXXV Encontro Nacional de Casas de Estudantes – ENCE, cujo tema será “Casas em Movimento(s): Olhares politizados, fazeres plurais e os sentidos das Políticas de Assistência e Permanência”.

Com a expectativa de receber cerca de 400 pessoas, a 35ª edição do evento objetiva trocar experiências, traçar paralelos entre as diferentes realidades participantes e discutir formas de articulação de uma luta nacionalmente integrada em torno das políticas de assistência/permanência estudantil como forma de garantir condições dignas de cursar o Ensino Superior aos/às estudantes oriundos/as das camadas populares, além de encurtar distâncias com os demais segmentos da Sociedade Civil Organizada.

A realização do evento é uma parceria entre a Secretaria Nacional de Casas de Estudantes – SENCE e as Residências Universitárias da Universidade do Estado da Bahia – UNEB, da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS, da Universidade Federal da Bahia – UFBA e da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB.

O investimento é de R$25 (vinte e cinco) e o contato para informações e pré-inscrições pode ser feito através do e-mail: ence2011.bahia@gmail.com e pelo blog: http://xxxvencebahia.blogspot.com/;

Confira a PROGRAMAÇÃO do Evento:

Dia 07 de Agosto:
- Credenciamento – 08:00 às 17:30
- Abertura, às 19:00
Dia 08 de Agosto:
- “Formação Política: onde estou e o que é isso?!” – 08:30 às 11:40
- “Residências Estudantis do Brasil: a realidade da Bahia” – 13:30 às 17:30
- Apresentação da nova Gestão e Reunião Ampliada da SENCE – 19:30 às 22:00
Dia 09 de Agosto:
- Oficina do Teatro do Oprimido – 08:30 às 11:40
- Grupos de Discussão (dois blocos) – 13:30 às 17:30
- “As políticas governamentais de Assistência Estudantil em relação às Universidades Estaduais” – 19:00 às 22:30
Dia 10 de Agosto:
- Educação Popular – 08:30 às 11:40
- Espaços Propositivos – 13:30 às 18:00
- Construção de Ato Público – 19:00 às 22:30
Dia 11 de Agosto:
- Ato público – 06:30
- Tarde livre
Dia 12 de Agosto:
- Prestação de Contas do evento – 08:30 às 11:40
- Avaliação do Ato – 13:30 às 17:30
- Avaliação do Encontro – 19:00 às 22:30
Dia 13 de Agosto:
- Plenária Final – 08:30 às 17:30

*Programação sujeita à alterações.

sábado, 2 de julho de 2011

Ogan do Seja Hundê é discriminado em programa de rádio

Roça do Ventura
Buda, apelido do ogan do Zô Ogodô Bogum Malê Seja Hundê, terreiro de candomblé jêje marrin de Cachoeira conhecido como Roça de Ventura, diz que foi discriminado pelo apresentador de um programa que diariamente é levado ao ar pela emissora Paraguaçu FM, de Cachoeira. Segundo ele, o apresentador o desqualificou como sacerdote e como indivíduo. Diz ainda que além das ofensas à sua pessoa, o locutor teria dito que o Seja Hundê é um candomblerzinho, cujos participantes são cariocas, paulistas e mineiro.

O motivo da ofensa foi porque Buda compareceu ao programa de rádio vestido de bermuda e camiseta, o que para o locutor era um traje inadequado para um ogan. Mas Buda contra-argumenta dizendo que o motivo foi porque ele foi denunciar as desobediências às determinações da Justiça impostas ao advogado Ademir Passos, que recentemente violou o espaço sagrado do terreiro ceifando árvores, soterrando a lagoa do orixá Nanã; enfim, desfigurando o sítio cultural afrorreligioso. O referido advogado, que é especializado em resolver broncas de prefeitos na Justiça, advoga para a prefeitura municipal da Cachoeira, e o programa de rádio é patrocinado com o dinheiro público, disse o ogan, que vai acionar a Justiça por reparações morais.. 

 

Blog do NNNE - UFRB

Historicamente a sociedade brasileira foi construída através de variados processos de subalternização do negro/a. Durante mais de três séculos, milhares de africanos foram tirados de sua terra de origem, para servirem de força de trabalho escrava no Brasil. Durante todo período colonial e imperial, a sociedade brasileira se sustentou através da escravidão negra, prática essa, que se fundava através de um cotidiano exercício da violência, coação, exploração e humilhação da população escravizada.

     Com o fim da escravidão legal no Brasil, em 13 de maio de 1888, o quadro de violências alterou-se, na medida em que as elites dirigentes, aparelhadas com as teorias racialistas, organizaram-se para recriar as hierarquias estabelecidas durantes os séculos de escravidão. Nesse sentindo, o Estado-nação brasileiro, foi construído através de políticas estatais, que visavam excluir e muitas vezes exterminar a população negra aqui existente, com projetos de favelização, programas de higienização, políticas de branqueamento e criminalização do negro/a e suas manifestações religioso-culturais. Mas, nós resistimos.
 
     Nos fins dos anos 20, o protesto racial emerge fortemente em São Paulo, propagando-se em outros estados da Federação; criam-se organizações, com base na identidade racial cujo objetivo é projetar os negros/as enquanto atores sociais. No final dos anos 40, o protesto reaparece no Rio de Janeiro, sob a forma de um ambicioso projeto cultural - Teatro Experimental do Negro - articulando-se psicodrama, valorização da tradição afro-brasileira e propostas políticas com vistas a interferir na reforma  constitucional.
 
     No final dos anos 70, uma nova onda de protestos, impulsionada por organizações negras de diferentes estados da federação, dão início à formação do Movimento Negro Unificado. Uma peculiaridade do Movimento Negro/a do Brasil, está no fato de que além de combater o racismo em todas as formas é preciso também desmistificar a idéia difundida de “democracia racial”, ideologia essa, diluída em toda sociedade brasileira, como constituinte de sua própria identidade nacional, dando um tom “harmonioso” às relações raciais.
 
     Na universidade o combate ao racismo perpassa por críticas ao conhecimento excessivamente eurocêntrico e pela organização da luta por acesso e permanência da população negra ao ensino superior. Fundamentados nesses eixos de atuação é que surge o movimento negro/a universitário na sua forma de núcleos estudantis. As pautas dos núcleos se somam às pautas gerais do movimento negro/a tendo como principal conquista destes, em nível nacional, a adoção de políticas de cotas para o acesso e permanência de estudantes negros/as. 
 
     Nessa conjuntura o negro/a passa a reivindicar o espaço político na universidade pública, propondo alternativas epistemológicas em favor da descolonização do conhecimento e o combate ao racismo na sociedade brasileira. É nesse sentindo, que estudantes da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, especificamente do Centro de Artes, Humanidades e Letras, reúnem-se em abril de 2009, e desde então, vêem se organizando de forma ativa e autônoma, com o intuito de discutir e militar em defesa das populações negras, o combate ao machismo e outras lutas em favor das maiorias subalternizadas. 
 
     O coletivo intitulado de Núcleo de Negras e Negros Estudantes (NNNE) tem como compromisso, combater o racismo, o machismo e todas e quaisquer formas de segregação, entendendo que essa ação de combate as discriminações é de extrema importância para construção de uma sociedade plenamente democrática.
 
    Nesse sentido, o NNNE é um coletivo de estudantes militantes que atualmente  desenvolve trabalho de base nas comunidades periféricas na cidade de Cachoeira-BA, além de constituir  uma rede de articulação com outros movimentos sociais como MST Recôncavo, MSTB, MOPEBA, MNU e comunidades Quilombolas da região. Somos maiss um elo da corrente inquebrantável do movimento negro contemporâneo.
 
Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB

"TRISTE CACHOEIRA"

1. Texto 01 - publicado no Cachoeira Online e no Facebook em 28.06.11
"TRISTE CACHOEIRA
 
Poluição ambiental, trânsito desregrado de cargas pesadas destruindo o patrimônio da cidade, poluição sonora infernal, Rio Paraguaçu transformado em lixão a céu aberto, coronelismo cínico e anacrônico, intolerância religiosa, invasão e destruição impunes de espaços sagrados de matriz africana, racismo velado e escancarado, hegemonia e fusão total do poder político e econômico, desrespeito à cultura afro-baiana e, last but not least, vergonha generalizada na Câmara de Vereadores no último dia 25 de junho, data magna da Cidade! Triste Cachoeira, outrora Cidade Heróica...
 
Xavier Vatin
Cidadão Cachoeirano"
 
Comentários postados no Cachoeira Online:

Anônimo disse...
Se a Câmara tivesse Ombridade, certaemente, professor, viria a público e pediria desculpas,foi um grande fiasco,mal gosto.Entendo seu desabafo,é uma expressão de muita gente que mora e gosta desssa cidade,infelizmente os puxa-sacos,não.
Anônimo disse...
Esse professor estrangeiro tá muito ousado. Vai engulir o que disse . Fora forasteiro, vc tem que se curvar a família Pereira, senão vai sair de Cachoeira expulso, e do Brasil também. Entenda professor, Cachoeira é verde e branca (Pereira/Palmeira), quem manda é quem tem, limite-se a sua Faculdade, com gestão péssima, com as drogas rolando solto.
Anônimo disse...
kkkkk! Todos sabem de ondem partem esses surtos acima,é a Maria Jagunça,defendendo o seu ganha pão.Coitada!
Anônimo disse...
-Todo mundo sabe onde a droga realmente come solto.Cala-te boca.Rsrsrs.
Cachoeirano indignado disse...
Infelismente não posso mais passar o dia 25 de junho em Cachoeira. Terra que eu amo e que muito me orgulhava de sua data Magna. É que a vergonha de ver tanta incompetência,tanto cinismo e mediocridade na organização do evento me fazem muito mal, começou esse ano, passei longe de Cachoeira. Apoio o Prof. Xavier, é preciso coragem para exprimir a verdade. Quanto ao anônimo(a) xenofabo que compartilha da mediocridade a que Cachoeira hoje está exposta, ou é beneficiado em detrimento da cidade ou é alienado, recolha-se a sua insignificância. Cachoeirano Indignado.
Anônimo disse...
Anônimo disse... Esse professor estrangeiro tá muito ousado. Vai engulir o que disse . Fora forasteiro, vc tem que se curvar a família Pereira, senão vai sair de Cachoeira expulso, e do Brasil também. Entenda professor, Cachoeira é verde e branca (Pereira/Palmeira), quem manda é quem tem, limite-se a sua Faculdade, com gestão péssima, com as drogas rolando solto. ----------------------------------------------------- Estão vendo como é que os representantes do poder tratam as pessoas? eles dizem "voce tem ques e curvar" Veem agora noque querem transformar Cachoeira? Como tratam a quem nao se contentam com o que eles estão fazendo?

2. Texto 02 - publicado no Facebook hoje e a ser publicado no Cachoeira Online
 
"TERRRORISMO MIDIÁTICO NA CIDADE HERÓICA
Caros Cachoeiranos e/ou amantes da Cachoeira,

Em primeiro lugar, quero agradecer calorosamente aos que me manifestaram o seu apoio. Quanto à radialista Al-Jazira, o seu comportamento "profissional" é digno de pena. Jornalismo verdadeiro requer INDEPENDÊNCIA, ética e objetividade. No que diz respeito aos anônimos que se escondem covardemente atrás do anonimato para vomitar sua raiva xenofóbica, só tenho a lamentar a sua alienação - para não dizer escravidão - mental.

Apoixonei-me por Cachoeira há 20 anos atrás, quando cheguei à Bahia pela primeira vez e quando Pierre Verger me aconselou a iniciar minhas pesquisas antropológicas na Cidade Heróica, com a saudosa Gaiacu Luiza Franquelina da Rocha. Orgulho-me igualmente e tanto pela minha cidadania francesa quanto pela minha cidadania cachoeirana, outorgada oficial e publicamente pela Câmara de Vereadores em maio de 2010. O espírito heróico e revolucionário que une as minhas duas pátrias me deu o senso crítico e a vontade de lutar SEMPRE em prol dos mais fracos, dos mais desprestigiados pela sociedade vigente, dos que sofrem diariamente nas mãos de uns coronéis cínicos, anacrônicos e patéticos. A radialista Al-Jazira pode continuar me difamando, não me importo. Ela não merece resposta.

O que não aceito, como cidadão, é que representantes legítimos de comunidades religiosas afro-baianas seculares sejam desrespeitados e hostilizados. O que não posso aceitar é o fato de uma Senhora de 83 anos, que constitui literalmente a raíz e a memória viva do samba de roda, seja vergonhosamente chamada de mentirosa por um representante do poder público municipal. O que não aceito, é que um terreiro de candomblé em processo de tombamento pelo IPHAN seja covardemente invadido e tenha o seu patrimônio arqueológico destruído, seu patrimônio sagrado soterrado. O que não posso aceitar é que o invasor descumpre cinicamente os embargo do IPHAN e da IBAMA. Pois esse patrimônio cultural de matriz africana é uma das RIQUEZAS mais emblemáticas de nossa Cidade.

O povo de santo, as Irmãs de Nossa Senhora da Boa Morte e os Grupos de Samba de Roda são os guardiões fiéis e heróicos de manifestações culturais da diáspora africana no Brasil, que fazem da Cachoeira o que é: o berço de uma civilização afro-indígena, de uma civilização extraordinariamente rica, porém secularmente desrespeitada. Não me deixarei intimidar por pessoas tão raivosas quanto insignificantes, que fazem uso irresponsável dos meios de comunicação para exercer um vil terrorismo midiático.

Axé! Vive la France e Viva a Cachoeira!!!

Xavier Vatin / Cidadão franco-cachoeirano"

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Abertas inscrições para Curso de Estudos Avançados de Museologia

Estão abertas até 27 de junho as inscrições para o II Curso de Estudos Avançados de Museologia (II CEAM), que será realizado entre os dias 1º e 28 de agosto, em Salvador (BA). O curso é promovido pela Associação Brasileira de Museologia e tem a colaboração científica da Unidade Funcional de Museologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias.

O pré-requisito para a inscrição é que o(a) candidato(a) possua título de Mestre obtido em instituição reconhecida pelo Ministério da Educação do Brasil ou pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior de Portugal. Saiba mais

O curso terá duração de 175 horas (ministradas em tempo integral) e o certificado de conclusão será reconhecido, a partir do preenchimento dos demais requisitos, como equivalente à parte curricular, para efeito de prosseguimento de estudos, no Curso de Doutoramento em Museologia na ULHT.

O CEAM conta com o apoio e a parceria do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram/MinC), da Diretoria de Museus do Estado da Bahia (Dimus/IPAC/Secult) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA).


Data de Publicação: 27/05/2011

Brasil e Portugal firmam acordo de cooperação na área museal

O Ibram e o Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) de Portugal (vinculado ao Ministério da Cultura português) assinam protocolo de cooperação nesta semana. O acordo prevê compartilhamento de informações técnicas e de boas práticas na área museal, além de identificação de oportunidades de colaboração e intercâmbio entre os museus da Rede Portuguesa de Museus e do Sistema Brasileiro de Museus.

Ações conjuntas de formação e capacitação e elaboração conjunta de projetos no âmbito do programa Ibermuseus são outros pontos previstos. O acordo será assinado nesta segunda-feira (30/5), em Lisboa, pelo presidente do Ibram, José do Nascimento Junior, e o diretor do IMC, João Brigola.

Em Portugal, Nascimento e a coordenadora geral de Sistemas de Informações Museais do Ibram, Rose Miranda, também participam de reunião de trabalho do projeto Acesso digital ampliado ao Patrimônio Museológico dos Países de Língua Portuguesa, desenvolvido pelo Ibram e IMC com apoio do Ibermuseus.

O projeto objetiva estabelecer cooperação técnica entre os países lusófonos para desenvolver padrõese linguagens documentais comuns, permitindo a integração entre os sistemas de catalogação e gestão de acervos museológicos das nações envolvidas. Os representantes do Ibram participam ainda de seminário sobre os sistemas Matriz, destinados ao inventário e gestão de patrimônio móvel e imaterial.

 Fonte: Ascom Ibram

Data de Publicação: 30/05/2011

Brasil e Uruguai farão intercâmbio no setor museológico

A cooperação e o intercâmbio entre museus brasileiros e uruguaios foi um dos pontos firmados no Protocolo de Intenções entre o Ministério da Cultura do Brasil e do Ministério da Educação e Cultura do Uruguai. O protocolo é parte dos 16 termos de cooperação bilateral assinados durante visita oficial da presidenta da República, Dilma Rousseff, ao Uruguai.

De acordo com o documento, Brasil e Uruguai  estimularão a cooperação entre seus museus e o intercâmbio de informações e experiências relativas à conservação de acervos e políticas para a gestão e organização do setor museológico, capacitação e qualificação de recursos humanos para museus, bem como incentivarão a difusão e o intercâmbio de suas manifestações culturais.

Os dois países também se comprometeram a desenvolver ações conjuntas no âmbito do programa Ibermuseus, promovendo a educação e formação de profissionais em técnicas de gestão, e estabelecendo mecanismos para a expansão da capacidade educativa dos museus, bem como para sua divulgação.

As atividades a serem implementadas vão fazer parte de um Plano de Trabalho que será, a partir de agora, definido entre os países, sempre de comum acordo, tendo em vista as prioridades estabelecidas pelas áreas a que dizem respeito. Os aportes financeiros para a realização das tarefas previstas nos itens do protocolo também serão ainda definidos. O acordo celebrado em Montevidéu começa a vigorar na data de sua assinatura e a sua vigência será de três anos, prorrogável automaticamente por períodos de igual duração.

Manifestações culturais

O Protocolo abrange uma série de ações, dentre elas, as de cooperação, intercâmbio e divulgação mútua das experiências e manifestações culturais brasileiras e uruguaias; de promoção da cidadania e da proteção do patrimônio cultural material e imaterial; além de ações de fortalecimento das atividades da cultura, levando-se em conta a diversidade cultural, étnica e linguística.

Em 2010 teve início o diálogo entre os dois países com o objetivo de promover e apoiar diversas iniciativas culturais conjuntas na região da fronteira Brasil-Uruguai. Em julho do mesmo ano, a Carta da Fronteira reuniu as demandas apresentadas pelas lideranças municipais, após encontro ocorrido em Santana do Livramento.

Fonte: Ascom/Ibram/MinC
Data de Publicação: 31/05/2011

Bens Arqueológicos em Destaque na Chapada Diamantina

terça-feira, 31 de maio de 2011

Anarquista sul-coreano é condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência‏

Jihwan Ahn
O jovem anarquista sul-coreano Jihwan Ahn foi condenado a 18 meses de prisão por objeção de consciência em 17 de fevereiro passado, em Seul. Ele está atualmente encarcerado na prisão de Youngdengpo e deverá será libertado em 16 de agosto de 2012. Jihwan recebeu 18 meses de prisão por suas crenças e sua rejeição ao serviço militar. 
 
Em sua declaração, ele afirma:
 
Não vejo razões – seja num sentido legal ou mesmo moral – para explicar a vocês qual o meu critério de consciência, e a história de como esse foi alcançado, ou da veracidade dessa consciência, enquanto eu declaro que me recuso ao serviço militar, de acordo com minha própria consciência. Não estou alegando isso de uma maneira infantil, mas essa é mesmo a minha convicção. Então, eu gosto de subir uma montanha pela manhã, ou de ir à praia quando está chovendo, tirar uma soneca depois do almoço, e colher flores do campo e colocá-las num vaso em minha sala – todas essas coisas você pode fazer livremente, sem permissão. Para mim, não prestar o serviço militar é assim também – uma questão de liberdade individual. Se alguém tenta tirar essa liberdade de mim, é esse alguém que deve explicar por que faz isso. Não sou eu que tenho que explicar porque me sinto feliz quando eu colho uma flor, ou culpado por fazer isso, e todas as outras mudanças emocionais e demais razões de o porque eu gosto de colocar flores em um vaso quando eu as pegar”.
 
Hoje, o problema principal é que depois da minha declaração, o processo legal vai começar. Primeiramente, é um problema pedir a alguém que é declaradamente consciente, que prove a sua consciência; e segundo, há o problema que não houveram debates o suficientes para entender o porque do estado-nação (ou melhor, a comunidade) está tirando a liberdade de alguém. Essa é basicamente uma questão de violência por parte do estado-nação”.
 
Embora a Coréia do Sul tenha sido repetidamente lembrada pelo Comitê de Direitos Humanos da ONU de que deveria reconhecer o direito da objeção consciente – tanto através das Observações Conclusivas ao estado, assim como em sua jurisprudência no caso do objetores conscientes da Coréia do Sul – isso não tem sido feito. Um projeto do governo anterior para introduzir o direito da objeção consciente foi derrubado pelo governo atual.
 
Em novembro de 2010, 965 objetores conscientes estavam cumprindo sentenças nas prisões, de geralmente 18 meses. Atualmente, um dos casos das Observações Conclusivas que teve apelo junto à Corte Constitucional está pendente. Não obstante, as cortes continuam a mandar os objetores para a prisão.
 
Cartas de apoio ao objetor de consciência Jiwahn Ahn podem ser enviadas para este endereço:

Jihwan Ahn
2568
P. O. Box 164
Geumcheon-gu
Seul, República da Coréia
153-600 
 
Tradução > Filipe Ferrari
 
agência de notícias anarquistas-ana

domingo, 29 de maio de 2011

Unesco considera arquivos da ditadura militar como patrimônio da humanidade


Arquivos da ditadura militar brasileira agora fazem parte da “memória do mundo”. Essa é a segunda vez que um projeto brasileiro é aprovado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), tornando-se patrimônio da humanidade.

O projeto apresentado pelo Brasil “Rede de informações e Contrainformação do Regime Militar no Brasil (1964-1985)” foi aprovado pelo Comitê Consultivo Internacional do Programa Memória do Mundo (MoW – Memory of the World), numa reunião ocorrida em Manchester (Reino Unido), no período de 22 a 25 de maio.

Criado pela Unesco em 1992, o programa tem como objetivo preservar e difundir amplamente documentos, arquivos e bibliotecas de grande valor mundial, buscando impedir, assim, que o patrimônio da humanidade seja esquecido.

A candidatura brasileira ao Memória do Mundo incorporou acervos de fundos de órgãos centrais do Serviço Nacional de Informação (Sisni), sob a guarda do Arquivo Nacional, e de órgãos de informação dos estados da Federação, estes custodiados por arquivos estaduais ou por outras entidades parceiras do Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil (1964-1985) - Memórias Reveladas.

O Memórias Reveladas foi criado em 2009, e sua gestão foi confiada ao Arquivo Nacional. O centro conta hoje com 55 instituições e entidades parceiras, incluindo diversos governos e arquivos estaduais, universidades e centros de documentação, e tem por objetivo atuar como um pólo difusor de informações contidas nos registros documentais sobre as lutas políticas no Brasil nas décadas de 1960 a 1980.

A vitória da candidatura do Brasil garante visibilidade mundial a esses importantes acervos, contribuindo para a sua preservação na medida em que chama a atenção do poder público e da sociedade brasileira para a necessidade de proteger e tornar disponíveis para consulta os arquivos do período do regime militar.

Diego Rabelo - 8760-8438
Diretor JPT- Bahia


Coletivo O Estopim!"Incendiando corações e mentes"  





Por:
Viviane da Silva Santos
Graduanda em Museologia
             UFBA